O Copom cortou a Selic para 13,75% em setembro de 2026, o quinto corte seguido. O crédito imobiliário cresceu 23% no primeiro semestre. Veja o que esses dados mostram e como decidir sem apostar em previsão de preço.
O que aconteceu com a Selic
Em setembro de 2026 o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, por unanimidade. Segundo as fontes consultadas, é o quinto corte seguido. O comunicado citou cenário externo incerto, atividade doméstica em moderação gradual, mercado de trabalho aquecido e inflação abaixo do limite superior da tolerância, mas ainda acima da meta. Não há compromisso de novos cortes: a projeção do mercado para o fim do ano é uma estimativa e pode mudar a cada reunião.
O que os dados de crédito mostram
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) informou que o crédito imobiliário somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% sobre um ano antes. Dois cuidados ao ler esse número. Primeiro, segundo o presidente da Abecip, parte do salto vem de uma base de comparação fraca em 2025, e o resultado de 2026 volta aos patamares de 2021 a 2024. Segundo, o número é nacional: não diz nada diretamente sobre o litoral de Pernambuco ou de Alagoas.
O que isso muda na prática para você
- Parcela do financiamento. Juros básicos menores tendem a reduzir o custo do crédito ao longo do tempo, mas as taxas dos bancos mudam por instituição, perfil e tipo de operação. As fontes que consultei divergem entre si sobre as taxas atuais, então simule diretamente no banco antes de decidir.
- Regras do financiamento. O teto do SFH foi ampliado para R$ 2,25 milhões em 2026, segundo as fontes consultadas, e a cota de financiamento costuma ser de até 80% do valor de avaliação. Confirme as condições vigentes com o banco.
- Imóvel de temporada. Um financiamento mais barato melhora a conta, mas ocupação, diária e custos continuam sendo o que decide o resultado. Veja como montar a conta de um imóvel de temporada.
O que ninguém sabe
Não há evidência nas fontes consultadas de que a queda da Selic vá elevar os preços dos imóveis no litoral, nem em que prazo. Preço depende de oferta, de demanda e de cada empreendimento. Quem diz que o imóvel "vai ficar mais caro antes da taxa chegar ao piso" está fazendo uma aposta. A decisão mais segura não depende de adivinhar:
- Compre pelo preço e pelas condições de hoje, comparando com imóveis semelhantes.
- Veja se a parcela cabe com folga mesmo se a taxa não cair mais.
- Se o juro cair depois, é possível pedir portabilidade do financiamento para outro banco. Confira as condições do seu contrato.
- Se o imóvel é para temporada, faça a conta sem contar com valorização.
Fontes
- BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano (Agência Brasil, 16/9/2026)
- Abecip: crédito imobiliário totaliza R$ 180,9 bi no 1º semestre, alta de 23% (Broadcast/Abecip)
Consultadas em 22 de outubro de 2026. A versão anterior deste texto trazia estimativas de famílias entrantes, lançamentos e preço por metro quadrado sem fonte verificável, além de uma previsão de alta de preços; foram retiradas. Este texto não é recomendação de investimento.
---
Se quiser comparar imóveis e simular o financiamento com premissas à vista, me chame no WhatsApp (81) 99224-5915 ou no Instagram @rodrigoimoveis.pe.
Temas relacionados:
